segunda-feira, 4 de abril de 2016

Os índios na luta pela terra

Com a chegada da Cofavi, em 1940, a empresa passou a explorar, com autorização do Estado, 10.000 ha de terras indígenas para a produção de carvão vegetal.  A Cofavi constituiu-se na primeira grande empresa a se instalar na região.  Iniciou-se o período de destruição da Mata Atlântica e pela entrada de posseiros no território indígena.
Já no final dos anos de 1960, a Aracruz Florestal iniciou seus empreendimentos na região, adquirindo da Cofavi os 10.000 ha de terras indígenas que lhe foram entregues pelo Governo Estadual.
Em 1967, encontrava-se instalado junto aos Tupinikim, em uma área isolada do contato com os brancos, o grupo Guarani Mbya, vindos da região sul do país. A instalação do grupo na região foi desde o início perpassada de conflitos, de ameaças, de transferências.
A chegada da Funai ao Estado não alterou as condições precárias  a que essas populações foram submetidas, haja vista que sua atuação esteve desde o início orientada de forma a viabilizar a política desenvolvimentista militar.
Os Tupinikim passaram a sobreviver da cata de caranguejos e mariscos no mangue à beira do rio Piraquê-Açu, em 3.000 m2 de terra, impedidos de caçar, pescar e plantar em seu território.
 A partir de 1973, a questão em torno do território indígena começou a ganhar repercussão nacional, o que levou a Funai, por meio de seu Delegado Regional, João Geraldo Itatuitim Ruas, a transferir os Guarani Mbya, juntamente com alguns Tupinikim, para a Fazenda Guarani, em Carmésia, Minas Gerais.
Os índios eram considerados extintos no estado. Embora identificados pela Funai (1973), os Tupinikim continuaram a viver em estado de abandono. Sem qualquer apoio jurídico, resistiram às condições desumanas impostas pela chegada da empresa Aracruz Florestal S/A. Em 1975, a Funai reconheceu oficialmente a presença dos Tupinikim no Espírito Santo.
Em 1967, o ano de instalação da empresa Aracruz Celulose coincide com a chegada dos Guarani ao estado. A existência desse grande projeto industrial financiado pelos militares simbolizava o progresso e a modernização que tentava deixar para trás uma imagem de estado agrário.
Tal processo de modernização era incongruente com a presença de povos indígenas, considerados símbolos do atraso. O resultado não poderia ser diferente. Iniciou-se uma intensa disputa dos índios contra a empresa pela posse da terra que duraria quatro décadas.
Podemos dividir a história da luta pela terra indígena no Espírito Santo em três fases. A primeira, ocorrida de 1967, ano da implantação da Aracruz Celulose no estado, ao de 1983, ano de homologação das terras indígenas.
A segunda fase inicia-se em 1993, quando os Tupinikim e Guarani reivindicaram a ampliação da área indígena, e dura até 1998, com a ampliação do território indígena de Caieiras Velhas.
E a terceira fase, iniciou-se em fevereiro de 2005, através da assembleia dos dois povos indígenas para lutar pela ampliação de suas terras e romper o Termo de Ajustamento de Conduta até 2010, ano em que foi homologada as terras indígenas.


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