segunda-feira, 4 de abril de 2016

Os índios Guarani do Espírito Santo

Os Guarani são aproximadamente 45.787 indígenas no Brasil. Esse grupo habita também países como a Bolívia, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai. Em nosso país, os Guarani localizam-se nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.


Como são divididos os Guarani?

Os antropólogos costumam dividir os Guarani em três subgrupos chamados: Mbya, Nhandeva, Kaiowá. Essa divisão ocorre a partir das diferenças lingüísticas e culturais dos povos.

Onde se localizam os Guarani no nosso Estado e quantos são?


No Espírito Santo, os Guarani são Mbya e estão localizados no município de Aracruz, litoral norte do Estado. A população Guarani aldeada reside em territórios dos índios Tupinikim de Caieiras Velhas I e II, nas aldeias de Boa Esperança, Três Palmeiras e Piraquê-Açu. Segundo dados da Funai (2008) os Guarani Mbya são de 301 habitantes.

O grupo guarani que chegou ao Espírito Santo era formado por uma líder religiosa chamada Tatãtxi Ywa Reté.  Por volta de 1940, após a morte de um parente, o grupo decidiu mudar-se para o Rio Grande do Sul. Partiram para várias aldeias de São Paulo, onde permaneceram cinco anos. Depois foram para o Rio de Janeiro até chegar ao Espírito Santo em 1967.
No estado, passaram pelos municípios de Guarapari, Vitória e se estabeleceram em Caieiras Velhas, região de Aracruz. O caminho percorrido pelos Guarani foi repleto de desafios. Inicialmente, a saída do Rio Grande do Sul para outras regiões foi motivada por conflitos fundiários. Pressionados pelos fazendeiros, plantadores de erva-mate, os índios foram obrigados a sair de sua região em busca de novas terras. Nos estados de São Paulo e no Rio de Janeiro, trabalharam como agricultores para fazendeiros regionais. No entanto, novos conflitos se estabeleceram, pois os Mbya eram submetidos a duros trabalhos agrícolas, em rotinas exaustivas e sem remuneração, obtendo apenas parcos recursos para sua sobrevivência.
No Espírito Santo, um grupo dos Guarani instalou-se em Caieiras Velhas, município de Aracruz,  e outro em Guarapari.  Em 1973, o prefeito de Guarapari, Hugo Borges, prometeu terra aos índios em troca de que se apresentassem como atração turística para o município. Tal fato teve repercussão nacional na imprensa, pois se noticiava a existência de índios sendo explorados de forma vexatória.
Esse acontecimento deflagrou a consciência de que havia índios no estado, o que era negado anteriormente. Mesmo sendo vítimas da exploração do poder municipal, os Mbya passaram à condição de índios desajustados pelo regime militar. Nesse momento, o então chefe da ajudância Minas/Bahia da Funai, Itatuitim Ruas, esteve no estado e providenciou para que os Guarani fossem levados para a Fazenda Carmésia, em Minas Gerais, uma espécie de reformatório para índios. Ao mesmo tempo, reconheceu oficialmente a presença de índios no Espírito Santo, tanto Guarani como do povo Tupinikim.


Os Guarani na fazenda Carmésia, Minas Gerais


Na Fazenda Carmésia, os Guarani permaneceram entre 1973 a 1978, sendo separados dos demais grupos que lá estavam, como Pataxó, Krenak, Tupinikim, Pancararu, Karajá, Maxakali. Os Mbya, por inúmeras vezes, tentaram fugir do presídio. Estavam muito insatisfeitos com sua situação e se queixavam do intenso frio na região, das más condições da terra para o plantio, do trabalho forçado, da fome e do tratamento a que eram submetidos.
Após várias tentativas de fugas, os Guarani conseguiram retornar ao Espírito Santo, na região de Caieiras Velhas, no município de Aracruz, região a qual haviam se identificado. A retirada dos Mbya no estado ocorrera de forma estratégica, pois enquanto parte dos índios estava em Guarapari, outra parte estava junto aos Tupinikim, em Caieiras Velhas.


Nenhum comentário:

Postar um comentário